21 de setembro de 2014
Eu não quero mais escrever cartas pra você. Mas eu preciso
contar pra alguém como eu me sinto, as vezes. E eu não tenho pra quem contar as
coisas ruins que eu penso e toda a raiva que eu sinto. Eu queria que ele não me
mandasse calar a boca e nem ameaçasse terminar comigo quando eu digo que
preciso de algum tipo de droga. Não queria que ele puxasse a cadeira quando eu
fosse sentar. Não queria que ele me enganasse e não queria que ele recebesse
beijos na boca de alguma amiga que eu tenho certeza que ele ama de alguma
forma. Não queria que ele encarasse garotas mais bonitas e mais mulheres do que
eu, e não queria que ele mentisse quando eu sei toda a verdade. E queria
agredir ele com todos os tipos de palavras feias e todos os tipos de socos e
tapas que eu sei dar. E queria que, ainda assim, ele rastejasse por mim, como
se eu fosse o oxigênio dele. Queria parar de contar sobre cachorros pro meu psiquiatra e contar que tudo o que eu queria era dormir, por uma
semana, dentro de um caixão, só pra ver se dormir no escuro é pior do que ter
um aterro no lugar do coração. Eu odeio vocês bastante, e me odeio mais ainda.
Maria.